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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

1556/07.

Deparei-me hoje com uma notícia que dizia que a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou o o Projeto de Lei 1556/07, que determina que todos os telefones, fixos e celulares, tenham uma tecla de emergência.
O dispositivo funciona da seguinte forma: quando uma pessoa atende um telefonema-falso-sequestro-muito-original, ela pode apertar um botão que gravará a conversa e localizará a chamada, permitindo que a empresa telefônica responsável acione os órgãos de segurança pública.

Isso mostra o quanto nós estamos perdidos e não sabemos que o buraco não é esse. Ele tá mais embaixo...

Mas não, a preferimos acrescentar uma nova tecnologia nos telefones. Porque aí sim resolve.

Meu último texto nesse blog, por ironia, foi sobre um celular de mil reais cuja propaganda tinha a trilha sonora um funk que seria perfeito para divulgar um aparelho com um dispositivo anti-sequestro!

Tá. Mas o buraco ainda não é esse. E ele é grande.

Maior ainda é o buraco que tem na peneira que estamos usando pra tentar tampar o sol.



sexta-feira, 26 de outubro de 2007

o índio e o legista.

Taí. A ciência agindo mais uma vez a favor da ciência, esquecendo dos seres humanos.
Cientistas tailandeses inventaram um óculos para legistas. O aparato ajuda a encontrar pistas de crimes, detectando resquícios de sangue, saliva e outros fluidos corporais em corpos, graças às suas lentes plásticas com nanocristais à base de oxinitreto de índio.

Sim, de índio, mas é o da tabela periódica, não o da aldeia.







Nunca permitiriam que cientistas fizessem pozinho de índio de verdade só pra construir um óculos muito louco (...ou será que permitiriam mas nunca precisaram de pó de índio de verdade?).

Bom, o fato é que se os legistas já são considerados sinistros pela natureza de sua profissão, imagina quando eles forem capazes de identificar restos de sangue, saliva e “outros” fluidos corporais? Tá entendendo?

Tudo bem, a função do óculos é achar substâncias nos cadáveres. Mas coloque-se na situação do legista: você já é um cara considerado estranho. Você ganha óculos mais poderosos que visão de raio laser. Você tem poder de sair identificando fluidos corporais nos outros. O que você faz?
Seja qual for a sua resposta, ela é suja. E eu não gostaria de ser vítima da sua brincadeira com o legista super glasses.

Convoco, portanto, todos a preencherem um abaixo-assinado contra a produção dos tais óculos de nanocristais identificador de fluidos.

E um outro que proíba a produção de pó de índio de verdade.


carol.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Nessa vida devia ser obrigado...

Nessa vida, devia ser proibido ser obrigado a ser bonito. Acho que quem se obriga a ser bonito não o é.
Devia ser obrigado a ter um filho, a plantar uma árvore e escrever um livro (mas blog também serve).
Devia ser obrigado a dormir qualquer hora que desse sono e chorar na hora exata que desse vontade.
Devia ser obrigado a falar ‘obrigado’. Mas não por obrigação, por vontade própria.
Devia então ser obrigatório ter vontade própria. Ah, isso sim devia!
Devia ser obrigado assistir a pelo menos uma hora de chuva caindo no vidro. Ou então três horas de observação de céu limpo à noite, pra poder ver umas estrelas descolando do alto.
Nessa vida devia ser proibido pedir desculpas. Hoje, sou da opinião que a gente deve mostrar mais do que dizer.
Devia ser obrigado também a enxergar o ponto de vista dos outros. Não é pra concordar, mas é pra entender, tá?



Nessa vida, devia ser obrigado a se obrigar a ser feliz...



...e nada mais.



carol.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

“O que está acontecendo comigo? II”

Quando eu tinha uns 11 anos, a minha mãe me deu um livro chamado “O que está acontecendo comigo?”, que falava sobre as mudanças embaraçosas da puberdade em uma linguagem quase-não-boba.
Esse livro não me ajudou em nada em relação à puberdade, mesmo porque não há muito o que fazer sobre o assunto, mas serviu para me classificar em um grupo, saber que existiam milhares de outros como eu no mundo, e que eu não tava passando sozinha por essa fase estranha.

Hoje me dei conta que estou na
crise dos vinte. E ninguém me deu livrinho...

Serviço de Utilidade Pública:


Os sintomas da crise:

1 - Não saber o que quer. Todo jovem teme não encontrar uma paixão que o inspire, seja trabalho, hobby ou uma pessoa
2 - Os 20 anos não são o que se esperava. Imagina-se que esses serão os anos para conquistar a liberdade e a independência da vida adulta
3 - Ter medo de errar. É típica a insegurança de quem acha que, se falhar uma vez, vai falhar sempre
4 - Não querer deixar a infância para trás
5 - Medo de que as escolhas de hoje afetem o resto da vida. E ser incapaz de mudá-las
6 - Fazer comparações constantemente. O jovem se compara a colegas e se sente menos capaz, acha que todos são melhores que ele

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

gimme more.

Há algumas semanas atrás, eu estava no carro, escutando rádio no trânsito, quando começou a tocar mais uma daquelas musiquetas irritantes da Avril Lavigne, uma das que trouxeram pra moça mais um processo de plágio. Não esperei muito pra mudar de estação e assim que troquei, surpresa: a mesma faixa estava tocando na outra emissora. E pior: as músicas das estações estavam sincronizadas de forma que, quando chegava o refrão, eu podia alternar entre as duas rádios sem a música ser interrompida.

Cara de pau radiofônica? Muita.

De fato, não sou obrigada a escutar a rádio, posso muito bem escutar um CD gravado por mim mesma, com as faixas escolhidas a dedo e tal. Mas o problema é que, como disse Lobão certa vez em uma
entrevista, “Por mais modernos que estejamos, com internet, o que faz existir o imaginário no inconsciente da população é o rádio”.

E isso me incomoda. Tenho tido a impressão que as rádios tem um setlist formado por umas 15 músicas, que são tocadas randomicamente durante o dia todo. E esse não é um problema exclusivo das rádios. Com exceção da Internet, que ainda é para poucos no Brasil, temos esse movimento acontecendo em todos os meios: TV, revistas, cinema, jornais e sei-lá-mais-o-quê.

que saco.

Vocês, com guerra, ditadura, torturas, pessoas sumindo, acham que tão dando de mil em termos de agruras e obstáculos. A minha geração não tem um coronel torturando. Mas tem a Xuxa. O inimigo é cor-de-rosa.”

Lobão

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

brinquedos com chumbo podem matar.


Barbie-rella by Priscilla Bracks 2007
Da coleção
Baghdad Barbie in the Cradle of Civilisation.


É arte, mas poderia ser a campanha de recall da Mattel.


carol.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Sobre pipoca e cigarros.


- Me dá um cigarro?
- Você fuma?
- Ahan. Light.
- Só tem do vermelho. Tó.
- Brigada. quer pipoca?
- Não, brigado.
- Pega. Tá quentinha.
- Não, brigado.
- Você não gosta de pipoca?
- Gosto.
- E porque não pega?
- Não sei, não quero.
- Mas não quer porquê?
- Ah, não sei, não tô com fome.
- Mas pipoca não é pra comer com fome. É vontade.
- Então eu não tô com vontade.
- Tá com vontade de quê, então?
- De nada.
- Nem de pipoca?
- Nem de pipoca.
- Você acha que pipoca é coisa de criança?
- Não. Cigarro é.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Oi... você vem sempre aqui?

Sempre soube que não devemos conversar com pessoas estranhas, mas não sei se tal regra se aplica quando a intenção é ler os blogs delas.

Por via das dúvidas, me apresentarei. Carolina Freire Braga. Prazer. Braga por parte de pai. Freire, também.

Filha única, sobrinha única e neta única, sou o ente mais jovem da minha família.

Despenderei algum tempo das minhas sextas-feiras pra dar um alou aqui, falar bobagem e refletir sobre coisas que me incomodam.

Definindo-me a partir dos tabus, digo que sou a favor do aborto e da eutanásia, sou contra as cotas raciais e não tenho opinião formada sobre a pena de morte.

Sarcasmo é a minha droga de preferência, gosto de pensar e falar sobre diferentes assuntos, com um grau severo de superficialidade e sem a pretensão de chegar a conclusões.

Muitas vezes sinto necessidade de vomitar algumas idéias minhas e acho que esse espaço será ideal pra essas reflexões.

Sou de Peixes, signo de gente sonhadora e sensível, sou daquelas que gastam horas e horas pensando antes de dormir. Numa dessas minhas investidas na madrugada, resolvi parar de acreditar no infinito. Não acho válido explicar o porquê agora, mas em alguma dessas sextas-feiras eu explico.

Gosto de música, de viajar, de cagar (sim, eu sou do tipo de mulher que caga), de respirar, de comer, de fazer sexo e de tomar água gelada enquanto tomo banho quente.

Frequentemente sinto que vivo num universo paralelo, numa coisa, assim, meio Alice... Estou correndo atrás do coelho branco pra ver se chego logo no País das Maravilhas.

Tenho pressa, mas mesmo assim, lembrarei de passar por aqui nas sextas-feiras pra registrar minhas alucinações...

carol.