Discurso Sobre o Nada
A virtude do próprio homem é o ego;
Em tempos modernos o que é concreto se desfaz.
Que mal causa a cegueira em quem é cego,
recusando o que o próximo lhe traz?
Que animal recusa e abusa de seus instintos,
a sobrevivência sobreposta pela coleção;
A evolução de homens tão distintos
para em lutas pela posse da razão.
Saíram todos em direção ao campo de batalha,
mas não encontraram o ideal que os une;
As lições aprendidas na ponta da navalha
são esquecidas no primeiro ato de ciúme.
“Vini Vidi Vici”, o que são vitórias?
Celebração que os acometem, permeáveis texturas?
Sem conteúdo celebraram suas glórias
Sem verdades ensinaram suas aventuras
Neste discurso sobre o nada, faça feita daquela cara
o que importa é o tom da voz, o que vale é se impor;
Faz-se concreto aquele que mais alto se declara
e do nada todos se encobrem de torpor.