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quinta-feira, 12 de julho de 2007

o segundo

ela estava triste e quieta. sem vontade de falar com qualquer um que fosse e com medo de pensar. sem esperança nenhuma sobre o que viria e sem vontade de ter.
seu pensamento era sempre mais trágico do que a verdade se revelava. toda antecipação era pior. ai maldita expectativa! queria parar de pensar no futuro porque na sua cabeça, ele era sempre estranho. ou ruim. e sempre era pouco.
cada segundo lhe trazia mais angústia porque sabia que o Depois se aproximava. e se fosse como ela imaginava...ela torcia para que demorasse a chegar.
tentava imaginar como seria se não fosse assim. se não fosse ela. se o problema fosse outro. ou com outro. mas não via ninguém por perto. pelo menos ninguém como ela.
tudo ao seu redor parecia estar ali só para mostrar como era insuportável ser. tudo a incomodava. e ela não conseguia mais ficar quieta.
resolveu sair dali torcendo para que alguma coisa diferente acontecesse e impedisse aquele futuro fraco de chegar.
queria encontrar seus amigos para se sentir amada. queria sentir que era necessária.

ela até sentiu que se importavam com ela. e que gostavam da sua companhia, sem dúvida! mas ainda era pouco. e queria sentir que era o mundo para alguém.
acabou andando pelas ruas frias da cidade e encontrou abrigo nos olhos calmos de um desconhecido. e sentiu-se em casa no sorriso simpático de um estranho. procurou olhares e gestos de conforto. a maioria das pessoas estava com pressa, mas algumas a acolheram. sem querer ou perceber.
o frio acabou virando seu companheiro e o vento fazia o cenário ficar mais bonito. como se sua tristeza virasse cena de filme. ela encontrou a beleza nas suas lágrimas.
e aquele foi um dia bom.

º°juju°º