sábado, 11 de agosto de 2007

Dia do Pendura


"Garçon tira a conta da mesa
E põe um sorriso no rosto
Seria uma grande avareza
Cobrar no 11 de agosto"

Sim, sim, queridinhos… Hoje, 11 de agosto, é o Dia do Pendura. Pra quem não sabe, o Dia do Pendura é uma data comemorada por estudantes de direito e surgiu porque alguns donos de restaurantes, lá pro começo do século XX, convidavam alguns estudantes da São Francisco para comemorar o aniversário de fundação dos cursos de jurídicos no Brasil.
Com o passar do tempo, os donos de restaurantes pararam de ser bobos (ou de ter o rabo preso) e os convites tornaram-se escassos. Os universitários jurídicos, no entanto, não fizeram cerimônia e começaram a “se convidar” (aspas, em homenagem ao meu amigo-clichê Luca) para as refeições: Estudantes de direito vão a restaurantes (geralmente os bons e caros) e ao pedir a conta, cantam o Hino do Pendura e não pagam nada!

Engraçado que hoje, além de se auto-convidarem, os estudantes não são apenas provenientes da USP, mas sim de qualquer faculdade. E mais um detalhe: a comemoração se estende por toda semana.

Aí a gente fica pensando: ah, mas eu se fosse o dono do restaurante, chamava a polícia! pois é, os donos chamam. E quem vem resolver o problema é o delegado! Sim, o delegado que se formou em direito, o mesmíssimo curso dos estudantes alvo da reclamação. Caso Solucionado.
Daí vem a parte irônica da coisa (e eu adoro a parte irônica das coisas)... dia 11 de agosto é o Dia do Garçom! E é justo o dia que os futuros homens-da-lei utilizam do seu poder para se sobrepor aos que têm menor privilégio, como os garçons, sem mesmo se importar com os 10% destinados ao serviço cobrados pelos estabelecimentos.
O Dia da Pendura serve para ilustrar um comportamento que ocorre em todo nosso país, onde os que têm mais poder nas mãos utilizam tal força apenas para seu bel prazer, ignorando os malefícios que causam.

Sem mais.

carol.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

sobre a pressa


ela estava cansada de meio termo e de dúvida. queria tudo por inteiro ou nada. com tudo e com certeza. ela queria absorver o mundo. tomar porrada, dormir na rua e cair do cavalo. ela estava cansada de se controlar, de respirar fundo antes de pular. queria fazer duas vezes antes de pensar.
ela queria muito e queria logo.
andando a caminho do trabalho viu um texto pintado no muro que dizia mais ou menos assim: "viva a insensatez da pressa! que nos torna mais humanos, instintivos e verdadeiros. a pressa é uma aliada da verdade". Sempre pensou assim, mas nunca tinha sentido tanto essas palavras quanto agora.
e ela tinha muita pressa. tinha pressa de ouvir os sons e as verdades do mundo. ela sempre achou que sem rodeios tudo se torna mais real: as palavras, os sentimentos e, principalmente, os olhos.
não aguentava mais seus pensamentos surgindo do ócio habitual. ela queria pular do abismo, escalar montanhas, falar com estranhos, ou até ficar sentada no seu sofá manchado, contanto que fosse por opção.
decidiu sair pelo mundo. e sabia que deixaria muita coisa para trás. muita coisa bonita, que ela gostava. mas sabia que se ficasse, isso se tornaria pouco.
sabia que o essencial era não se preocupar com a queda. porque preocupação não ajuda em nada. nunca a ajudou. os hematomas apareciam de qualquer jeito.
sabia também que é preciso saber ter calma pra ter pressa. porque senão a mente não aguenta as quedas do cavalo, nem das montanhas. o corpo até supera os hematomas, mas a alma precisa de calma pra suportar.
ela sabia pouco, mas queria que fosse assim. e foi.

º°juju°º

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Câmera? ... Luz? ... Clichê!


Viver é como escrever, dirigir e atuar um filme. Sei que pode parecer clichê ... parece e é! Mas como um assumido adorador e fã do Clichê eu repito a sentença: Viver é como escrever, dirigir e atuar um filme. Mas antes de desenvolver essa idéia de reality show, eu defendo o clichê: Um dia o cliclê já foi inovador e diferente, nem que fosse apenas por uma vez. Independente da forma do clichê, sendo ela em gestos, frases ou pensamentos, este só chegou a esta qualificação porque, um dia, se destacou entre tantas outras formas. E continua sendo bom, se não, não seria usado e, consequentemente, não seria um clichê. E viva o Clichê! Bom ... voltando ... quando se vive é preciso escalar as pessoas para seu "filme" (Áspas, o clichê mais divertido de todos!). É claro que existem pessoas que já estão escaladas para contracenarem com você, antes de você se quer pensar com quem você se sentará à mesa. (Isso mesmo! Sentar à mesa! Você tá acompanhando?) Viver é como dirigir um filme, que é como servir uma refeição. Você precisa escolher bem as pessoas que você irá chamar para jantar. E além disso você tem que pensar se essas pessoas podem, ou não, se sentar uma do lado da outra, ou até mesmo estar na mesma sala que a outra. De nada adianta dois grandes atores escalados para o mesmo filme se eles não têm química (Química? Clichê né? ... Acho que sim). Você até pode "demitir" (Áspas de novo. Vicia né?) atores importantes por conta própria ou eles são tirados do filme sem sua aprovação. Esse é o desafio de não ter controle total do roteiro. Você deve agir para alcançar um final feliz, que é importante, é clichê e é a razão que estamos aqui! Bom, o meu ponto, nessa quarta sem graça, é colocar um chip na sua cabeça para fazer você pensar que tipo de filme é o seu? Comédia? Drama? Ação? Pornô? Musical? Acho meio difícil um musical, até porque musicais são mais difícil de se encontrar, e quando se encontra é difícil ser bom. Eu escolheria um mais clichê (que é muito bom!Já expliquei ... Você tá acampanhando mesmo?) Partindo do ponto de quem ninguém quer estrelar um curta metragem, uma vidà não é fácil de se dirigir, muito mesmo se você é o protagonista. Por esse motivo é comum observar pessoas que preferem não ser protagonistas de seus próprios filmes. Existem pessoas que se tornam apenas o narrador da história, pessoas que se compõem como meros figurantes e também existem pessoas que preferem fazer documentários. O que é muito válido. Não sei se a bilheteria será um sucesso, mas é muito mais interessante do que uma comédia romântica, certo? O importante aqui, independente do tipo do filme que você vive, é saber que não existem comerciais como nos programas de Tvs. Então você tem que ter certeza do que faz. Não vou dizer que não é possível edições e cortes, mas com certeza são mais complicados. Portanto até mesmo quando você não tem certeza do que faz, tenha certeza de que você não tem certeza do que tá fazendo. Isso vai te ajudar melhor no roteiro e na direção. Outras coisas importantes que você deve prestar atenção: Trilha sonora! Uma vida sem música é muuuito chato! Figurino, fotografia e sequência também são pontos críticos de sucesso. E qualquer que seja sua categoria, humor apurado e drama sempre é bem vindo em qualquer filme. E depois de tudo isso, só por diversão mesmo, você pode dar um título pro seu filme. Que tal?

(Sem revisão de texto, estou postando)


Luca

domingo, 5 de agosto de 2007

Hoje tem nada

Discurso Sobre o Nada

A virtude do próprio homem é o ego;

Em tempos modernos o que é concreto se desfaz.

Que mal causa a cegueira em quem é cego,

recusando o que o próximo lhe traz?


Que animal recusa e abusa de seus instintos,

a sobrevivência sobreposta pela coleção;

A evolução de homens tão distintos

para em lutas pela posse da razão.


Saíram todos em direção ao campo de batalha,

mas não encontraram o ideal que os une;

As lições aprendidas na ponta da navalha

são esquecidas no primeiro ato de ciúme.


“Vini Vidi Vici”, o que são vitórias?

Celebração que os acometem, permeáveis texturas?

Sem conteúdo celebraram suas glórias

Sem verdades ensinaram suas aventuras


Neste discurso sobre o nada, faça feita daquela cara

o que importa é o tom da voz, o que vale é se impor;

Faz-se concreto aquele que mais alto se declara

e do nada todos se encobrem de torpor.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

crise websistencial.

“Um nova discussão começa a ganhar corpo nesses tempos de web 2.0, o termo criado para expressar o que seria a segunda fase da internet, marcada pelo conteúdo produzido pelos próprios usuários. O dilema é o seguinte: uma das razões do sucesso da internet, desde sua origem, é a capacidade de oferecer ao usuário a oportunidade de acessar o que quiser, quando bem entender. Agora, porém, à medida que mais e mais dados entram diariamente na rede, esse fundamento não estaria afastando o internauta, frustrado pela incapacidade de encontrar o que lhe parece relevante?”

... e agora? Será que o Embaralhados pode ser visto como weblixo? Será que devemos ser conscientes e destruir o nosso blog? Limpar um pedacinho da Internet em prol de informações mais relevantes e rápidas? Ou podemos continuar escrevendo todos os dias, nos expressando e postando o que nos der na telha sem preocupações, torcendo para que o Google realize sua missão de “organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil”?

Tô entrando em crise websistencial... Eu, que sempre reciclei lixo, nunca joguei sujeira na rua e prezo pelo bem-estar coletivo, estou poluindo a Internet com os meus textos que não são assim... AQUEEELA coisa, e desse jeito acabo prejudicando os outros, que querem encontrar informações legítimas rapidamente.

Não podemos pensar, no entanto, que estou aqui para me fazer de vítima... Morro de raiva daqueles donos de blogs, flogs e sei-lá-mais-o-quê que aparecem nas minhas buscas pela rede. Tem também aquela coisa toda de trabalhos acadêmicos. Suuuper duvidosos. É só fazer uma busquinha por um termo um pouco mais técnico pra aparecer aquele monte de trabalhos em PDF. E eu lá vou saber a nota que esse cara tirou? E se tirou 10, quem foi que corrigiu?

Radical? um pouco. Mais ainda se pensarmos que a web tem a característica de ser um meio de duas mãos, e essa é a sua grande graça: acessar informações do mundo todo, poder aprender, poder ensinar...

Mas... aí é que tá. Será que todos os conteúdos publicados na web nos acrescentam algo e fazem pensar? Será que deveríamos estabelecer um limite? E quem julga se o conteúdo é digno ou não de ser publicado? O Google? Isso pode ser considerado censura?

Seria mais razoável pensar em consciência no uso da Internet, com a conscientização, saberíamos dos nossos limites como publicadores de conteúdo para ganharmos como usuários.

À primeira vista, esse pode parecer um assunto pequeno e quase insignificante, especialmente se equiparado à condição que estamos no mundo, em meio ao aquecimento global e todas essas coisas apocalípticas que vemos nos noticiários.

O meu ponto é, no entanto, que o weblixo é simplesmente mais uma conseqüência da falta do nosso sentimento de coletivo. E acho que muitas outras conseqüências estão por vir.

...mas também acho que até essas conseqüências se concretizarem, eu já não estarei mais entre nós.

Então, isso nem é problema meu.

carol.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Sobre a falta

Essa semana pensei bastante na morte. Na verdade, não tanto na morte. Pensei mais na ausência, na falta e nas saudades. Às vezes sobra tanta falta dentro da gente que até cansa. E dói um pouquinho também.
Tem horas que é preciso respirar fundo para tentar não desabar. E tem horas que só de respirar fundo dá pra sentir aquela pontinha de saudades incomodando. Discreta.
Acho bom chorar a falta, às vezes. Eu ouvi uma coisa, quando era pequena, que me marcou bastante...Me contaram que quando você chora por alguém que já morreu quer dizer que a pessoa está perto de você. Achei engraçado, um pouco estranho, e nem sei se acreditei muito. Mas por causa disso eu ficava um pouquinho mais feliz quando chorava.
Cada lágrima trazia a pessoa pra mais perto de mim e assim, não fazia tanta falta assim. Na verdade fazia até um pouco de presença.
Quando me acostumei a viver de lembranças, comecei a querer fazer cada vez mais lembranças, pra poder sentir sempre o gostinho do presente. A qualquer hora. Olhar pra trás e curtir todas as flores e pedras do caminho.
E quando digo 'viver de lembrança', não quero dizer ficar presa ao passado, mas sim tornar o presente sempre memorável para poder retornar quando quiser.
Quando vivemos nossas lembranças, cada lágrima é um pouquinho de falta a menos.
E assim falta menos.


º°juju°º

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

"Mó grandão assim oh!"


Hoje você precisa lidar com responsabilidades desde a hora que acorda até a hora que vai se deitar. Antes, não. Sua única preocupação era lavar bem atrás da orelha. A imaginação era a coisa mais importante e admirada. Hoje, não. Hoje é o conhecimento. O mais legal era esperar a semana inteira para poder sair. Agora é esperar a semana inteira para poder ficar em casa. Dormir a tarde era um absurdo, principalmente na véspera de Natal na casa de sua vó, quando era obrigado. Hoje é quase um necesidade bloqueada. Quando criança o maior dos desejos era ser invisível. Quando adulto isso se torna um pesadelo. "Roupa de presente? Que tia mala!". "Roupa de presente? Nossa, se você não me desse eu iria comprar". "Olha que bonitinho aquele menininho sorrindo pra gente! Que fofo, né?". "Olha aquele cara pervertido sorrindo pra gente! Vamo embora, vamo embora!". Quando adulto você está no abismo de todos os sete pecados, pronto para surtar de várias formas e por diversos motivos. Quando criança, o único pecado que te alcança em significantes proporções é a gula, o mais gostosos de todos os pecados. Antes você não se importava tanto para saber que horas eram. Era noite ou dia. No máximo, era de tardezinha. Atualmente nosso codi-nome é Escravo do Tempo. Hoje é quase que proíbido chorar. Antes chorava quando tinha vontade. Vergonha? Vergonha só de gente desconhecida. Hoje, vergonha só de quem conheço. As outras eu nem conheço. Foda-se! Criança sabe exatamente o que quer. Gente grande na maioria das vezes está em dúvida, ou nem sabe mesmo. Ano 2000 era tão distante. HOje 2000 é passado. Ter uma namoradinha significava brincar quando quisesse com a pessoa que você gostava. Ter uma namorada significa explicar o que fazia no bar numa terça a noite. (OBS: Feliz 2 anos e meio, Linda! Tô só ilustrando pro pessoal entender, tá? Não fica brava! Coisa Linda Minha!) Se passava da meia noite era muito legal estar acordado no "dia de amanhã". Hoje em dia, se passou da meia noite você está atrasado para alguma coisa. Pode ter certeza! Nem se for para ir pra cama. É ... as coisas mudam. Pessoas mudam, blá, blá, blá ... Vamos pular a parte do "Éramos felizes e não sabíamos", até porque a gente já sabe disso. Sem nostalgia e depressão, por favor. Mesmo porque não fui nada imparcial nessa análise de quarta-feira. Existem várias vantagens de estar onde estamos. É que as vezes eu esqueço, só isso. Mas a única coisa que sempre vai ser super hiper mega sunday monday morning tunder from down under de legal é assistir, depois do almoço, aquele capítulo de Chaves que você já viu milhões de vezes ... é ... pena que aqui no escritório não tem televisão ...