domingo, 30 de setembro de 2007

Você pode tirar os pregos, mas os furos não.

Hoje ela acordou morta.
Acordou pálida, gélida, beirando o púrpura.
Mas acordou.
Levantou-se apenas para se deparar com um mundo enevoado por tons de cinza enjoados.
Como se as partículas houvessem saboreado todas do mesmo amargor.
E agora enchessem seus pulmões como quem respira pelo umbigo fechado com um nó de muitos anos de distância.
Calou-se apenas porque, se não o fizesse, diferença também não faria.
Porque o ruído daquele cinza todo penetrava seus ouvidos e corroia todo o caminho até o solado dos pés.
Sufocando sua voz e choro como se nunca tivessem inventado tais palavras, por falta de onde pôr.
Caiu como num poço sem profundidade.
Lugar que ela própria desconhecia dentro de seu corpo.
Mas caiu imóvel, num mergulho silencioso.
Porque ar era tão impenetrável que os sons não encontravam espaço para se fazer.
E nem sentiu as lágrimas que não escorriam pelo seu rosto.



5 comentários:

º°juju°º disse...

preparem-se para um texto Ctrl C + Ctrl V...

Gostei muito viu amiga lia??

Anônimo disse...

Melhor...
Que foda... muito foda seu texto.
Hoje, uma segunda-feira de TPM pra mim...
nossa. Identificação total.
Quase chorei.
Amei.
O melhor que já li.
Claro, foi a melhor que escreveu.
bjs

lia disse...

q melhor emoção amiga! qse chorei com o seu comentário melhor!

Anônimo disse...

todo dia a gente acorda um pouco morto, um pouco pálido, um pouco gélido.

e vai dormir um pouco imóvel, um pouco mudo, com um pouco de lágrima.


amei, li...

Anônimo disse...

o mais legal é que os comentarios também viram poesia!

amei!

beijos, li!